21 abril 2016

Resenha: Nocaute - Anderson Fernandes e Débora Kaoru

Edição: 1
Editora: Buriti
Autores:  Anderson Fernandes e Débora Kaoru
ISBN: 9788566725940
Ano: 2015
Páginas: 184
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Sinopse:
Está em franca discussão no Congresso e principalmente no País, a possibilidade de redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos. Neste cenário, “Nocaute”, dos jornalistas Anderson Fernandes e Débora Kaoru, autores do livro “Entre Quatro Poderes”, conta a história de Antonio Silva, Pitbull, que ainda na infância enfrenta a morte dos pais e acaba sendo direcionado para um orfanado e após alguns crimes, para uma unidade de internação de menores. Neste local, o menino conhece o casal Marcos e Claudia, que o ensinam o sentindo da vida, por meio da educação e do esporte.
Após enfrentar muitos desafios, Pitbull, um menino pobre e sem perspectiva alguma de vida, consegue se tornar campeão mundial de UFC. Além da redução da maioridade penal, o livro debate diversos outros temas, como ECA, suicídio, importância da leitura, uma doença rara chamada Machado Joseph, e principalmente a importância de seguir em frente, mesmo frente aos diversos problemas que aparecem durante a vida.
Resenha:
"Parece que as pessoas estão de olhos vendados para os problemas sociais. Muitas vezes o momento de cegueira é tão intenso que elas passam por cima desses problemas e nem percebem."
Vou começar a resenha dizendo para ninguém ler a sinopse do livro, ok!? Pois a resenha pode não ter spoiler, mas a sinopse esta recheadinha deles!! Então, ATENÇÃO e CUIDADO. Quem avisa amigo é!! Dito isso, vamos a resenha.

Nocaute narra a trajetória de vida de Antonio Silva, uma menino que desde muito cedo conheceu a crueldade do mundo.
Antonio nasceu na favela, já que sua mãe era esposa de um dos traficantes de lá. Ela veio a falecer tragicamente no parto e seu pai foi assassinado poucos dias após pelo seu avô que o culpada pela morte da filha. Assim, antes do primeiro mês de vida Antonio ficou orfão. Seu avô, o vendo como a causa da morte da filha, o larga aos cuidados de um tio. E é assim que passa os seus primeiros anos de vida, mais exatamente, até os cinco anos de idade.
Mas a vida do garoto não prometia facilidade. Seu tio e pai de criação, um dedicado policial, consegue uma promoção e vai festejar com os amigos o acontecimento, mas tragicamente vem a falecer em um acidente de carro na volta da festa.
E então a única opção para Antonio é orfanato. E é também a partir desse momento que o destino do menino é traçado.  Pouco tempo depois, os cuidados de um sistema nem um pouco sadio para uma criança, nem mesmo humanizado, Antonio começa a sofrer influencia de outros internos mais velho, e este acaba sendo o primeiro passo para uma vida de crimes.
Após isso, sua próxima parada é unidade de tratamento de menores,e entre um e outro recebe o apelido de Pitbull, por sua tendencia a resolver qualquer diferença com agressões.

Antonio vai de uma criança ingenua e indefesa, para um adolescente problemáticos envolvido com mundo do crime e das drogas, e para todos que o conhecem, acreditam que é também um caso perdido.
Mas é ai que ele conhece Cláudia e Marcos, um casal de voluntários que faz um trabalho de conscientização e atividades diversas com os meninos do regime. O casal vê potencial de Pitbull, e Marcos, um ex campeão de artes marciais, começa a introduzir o garoto rebelde no esporte, com o intuito de criar uma válvula de escape, uma forma dele extravasar todos os sentimentos represados. Mas o que eles não poderiam imaginar é que o garoto levaria jeito. Mas qual será o caminho que Antonio Pitbull vai escolher trilhar? O que a sociedade sempre definiu para ele, de bandido e criminoso ou o regrado e prospero apresentado por Cláudia e Marcos?
"Existem duas fases na vida de uma pessoa. Antes da educação e depois dela. Quer mudar o mundo? Dê um livro, um lápis e uma borracha a uma criança”
Preciso dizer que primeiramente o que me atraiu para esta leitura foi o simples fato de ser escrito por Anderson Fernandes e Débora Kaoru. Para quem não sabe, eles são os co autores de Entre Quatro Poderes (para ler a resenha, cliquei no título) que eu li e amei. Então, quando eles me propuseram a parceria para a leitura de sua nova obra, não pensei duas vezes. E eu não poderia estar mais satisfeita com a minha decisão.

Nocaute me surpreendeu do inicio ao fim, e não por ser uma trama elaborada e fantasiosa,mas exatamente pelo motivo inverso. A historia de Antonio Silva pode ser a historia de qualquer um, é uma historia que se repete diariamente com mais frequência do que nós e nossos governante admitem. E isso é algo chocante, pois durante a leitura você tem a percepção de que a vida é injusta, e nós que estamos sentados no conforto de nossas casas raramente temos consciente do que se passa do outro lado da nossa porta. Ou se tem, finge não ver. E isso é triste e uma baita hipocrisia.
 Antonio Silva pode ser aquele menino pedindo esmola no sinal. Ou aquele que roubou sua carteira no metro. Mas, o triste é que todo mundo julga, mas poucos entendem que ninguém entra para o crime por diversão,  por trás desses atos sempre existe uma motivação que não conhecemos, as vezes  e a fome ou simplesmente a falta de oportunidade em uma sociedade que rotula as pessoas. Você é pobre! Você é negro! Você é gordo! Você é baixo!  Você não usa roupas de marca! São tantos os rótulos que nos define antes mesmo que tenhamos a oportunidade de dizer nosso nome...
"Em uma sociedade marcada pela extrema desigualdade social, as populações pobres e negras são as mais vulneráveis às violações de direitos humanos, sendo que as mais graves violações se dão justamente na infância e adolescência e que resultam em que resultam em consequências muitas vezes irreversíveis."
E ai que os autores incluíram um tema que está em plena discussão atualmente, que é a redução da maior idade penal para 16 anos. É justo ou não condenar crianças a um ambiente hostil, cruel e pouco humanizado? Sendo que as oportunidades oferecidas para as mesmas são nulas? Quando não se tem nem casa e comida, que dirá instrução? A quem defenda que se já tem idade para cometer crimes, tem idade para arcar com a consequência disso. Mas, também as o que defendam que a falta de oportunidade e estrutura é a causa da criminalidade, e que não se deve julgar crianças como adultos.
Eu, particularmente acredito na segunda opção, pois é obvio que vivemos em um sistema falho onde os menos afortunados sofrem as consequências, então, será que talvez não seja mais produtivo investir em escolas e na educação ou invez de na ampliação e criação de novos presídios ? Eis a questão. Mas, o governo prefere punir a instruir. Uma triste realidade. Enfim...

Bem, os autores conseguem com a obra nos mostrar que a oportunidade faz diferença, ter alguém que nos apoie é o que pode mudar tudo. Sempre. Como é caso do Antonio Silva, o nosso protagonista, que é negro, pobre, veio da favela e tem ficha criminal e mesmo assim consegue ser alguém na vida e lutar pelos seus sonhos.
Em um pais onde as pessoas fecham os olhos para os problemas da sociedade e vivem alienadas , eis que surge um livro que faz uma critica aberta ao governo e a sociedade. Nem sei como colocar em palavras o orgulho que sinto de dizer que sou parceira desses autores. É maravilhoso saber que ainda existe pessoas que colocam a cara a tapa pelos seus ideais.

Nocaute, como vocês podem perceber, é um livro reflexivo e um tanto quanto polemico, mas, acima de tudo, é um livro que vai fazer você questionar, não somente a sociedade, mas também a forma de governo ineficiente que existe neste pais e também seus ideais.
E em menos de 200 paginas Anderson e Débora nos mostram o problema e também nos dão a solução, que se resume em uma única palavra: Oportunidade.

Enfim,  este livro trás uma critica social, mesclada com diálogos intensos e inteligentes, sem contar nos personagens marcantes. E ao mesmo tempo em que vemos a realidade nua e crua e dados comprovados, também temos emoções e sentimento a flor da pele, e por esse motivo é impossível não se solidarizar com o drama vivido por Pitbull.

Mas, apesar do que pode parecer para quem não curte temas polêmicos e políticos, o livro é extremamente fácil de ler, possui uma narrativa fluida e simples. É um livro que se pode devorar facilmente, mas que eu aconselho a digerir por partes, para poder ter este momento reflexivo e absorver ao máximo.

A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, nos dando a possibilidade de conhecer afundo todos os personagens envolvidos na trama, e também tem uma passagem de tempo bastante grande entre a primeira e a ultima pagina, o que torna a historia bastante objetiva

Sobre o livro físico ele é bastante simples e com uma capa que está dentro do contexto, mas que infelizmente não é tão atrativa aos olhos. Em todo caso, os autores tiveram alguns problemas com a distribuição do livro, o que levou a uma troca de editora e a uma segunda edição, então segue abaixo a nova capa, a qual vocês vão encontrar em todas as livrarias ou diretamente com os autores.
"Me transformaram quando eu ainda era um adolescente perdido. Me tiraram da escuridão e me mostraram a luz. Agora eu tento apenas dar a minha contribuição e mostrar o caminho a outros jovens."

Segunda edição lançada pela editora Publicar.

Sobre os autores:

O jornalista Anderson Fernandes tem 31 anos. É graduado em Comunicação social - Jornalismo  e tem especialização em Comunicação Estratégica  pela universidade de Braz Cubas  (UBC). Anderson tem passagens pelos jornais Diário de Suzano, Diário do Alto Tiete, Folha metropolitana de Guarulhos nas funções de repórter e editor. 

A jornalista Débora Kaoru  tem 28 anos, É graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela universidade de Braz Cubas (UBS). Trabalhou como repórter no jornal A tribuna Suzanense, Radio Metropolitana e também na assessoria de Imprensa Politica .

7 comentários:

  1. Olá, Geeh.
    Li o livro já e gostei bastante. Os autores realmente trazem muitas críticas sociais e nos fazem pensar, o que eu adoro. Acredito que a boa literatura tem esse papel: trazer reflexões para o leitor.
    Certamente lerei Entre Quatro Poderes dos autores.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de abril. Serão três vencedores!

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  2. Geeh, assim como em Entre Quatro Poderes, adorei a resenha sobre Nocaute. Realmente é um livro reflexivo. Realmente precisa ler lido com calma. Tenho um conhecido que me disse que já leu três vezes e a cada leitura absorve algo novo. Fico extremamente satisfeito quando isso acontece. Mais uma vez obrigado pelo espaço e pela atenção. E o que precisar, sigo à disposição.

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  3. Eu amei a resenha.
    Nocaute parece ser um ótimo livro, não gostei dessa capa, mas posso ignora-lá por essa leitura.
    Esse jovem certamente sofreu, deve ter crescido com muitos traumas, sem familiares e tudo mais.
    Fiquei bastante curiosa para conferir essa leitura.
    Boa Noite.

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  4. Nossa, gostei desse livro. Fiquei com vontade de ler, saber mais a respeito do garoto e também saber mais sobre maioridade penal (que sou a favor). Espero ter a oportunidade de ler um dia.

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  5. Geeh, que história interessante! Parece ser uma biografia, afinal, tudo isso acontece nesse país diariamente, mas claro, não o fato de chegar dois voluntários e mudar a vida de uma criança para sempre, isso é um em um milhão. Mas o livro parece ser incrível, leria de bom agrado. Toda essa premissa é bastante cativante, teria nada a reclamar sobre.

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  6. Geeh!
    Gosto muito de livros que trazem polêmica sobre a sociedade e a política, não podemos nos abster de dar nossas opiniões, porque a coisa já anda tão ruim e se ficarmos calados, piora mais.
    Reflexões são sempre bem vindas.
    “Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.” (Fernando Pessoa)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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  7. Nossa que tragedia que era a vida do personagem todos a sua volta morreram e mortes trágicas, é muito triste quando a pessoa não tem uma oportunidade e acaba entrando pro mundo do crime, pois é um mundo muito difícil de sair, devido ao seu histórico são poucos que conseguem uma nova vida. Deve ser uma lição e tanto para refletimos sobre vários aspectos citados no livro. Pretendo ler um dia.

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